Publicado por: protextando | 28/12/2011

Força democrática a gente se liga em você!

No que se refere às opções de entretenimento, informaçãoe produção de conhecimento encontradas na TV aberta pública, sempre fui um dos críticos ferrenhos. No que tange, de modo geral, a qualidade dos programas, já passei pela fase do teleologismo onde escolhia apenas uma emissora como a única culpada, símbolo de todo o mal televisivo no Brasil. Graças a Deus e as referências que venho lendo ao longo desses anos, descobri que ela (a emissora) era somente uma parte do sistema de comunicação em nosso país, diga-se de passagem, horrível sob o ponto de vista educativo.

No último domingo a tarde, levei um susto quando liguei a televisão na globo e assisti o programa “Esquenta!”, apresentado por Regina Casé. Em “A imprensa do serviço e a imprensa do negócio” levando em consideração que estou certo em minha taxionomia a cerca da imprensa, o fato do supracitado programa, trazer uma considerável quantidade de negros e pobres em situações que, são totalmente diferentes daquelas de subserviência, me permiti fazer dois questionamentos: Será que a globo está “enegrecendo” e “empobrecendo” as imagens se aproximando da diversidade de nosso país? Ou será que o aumento do poder de compra das classes B, C e D a impuseram a rever o modo de sua programação?

Poder de compra igual a poder de escolha

Desde que conheci a luta de Abdias Nascimento e sua forma de encarar as questões de raça em nosso país, julgo que se enviesar pelas entranhas do estado e fazer com que este reconheça-nos enquanto cidadãos, que foram historicamente descriminados é a tática mais eficiente. Um prova disso é a criação do princípio das cotas nas universidades pública, luta esta que no Brasil tem como principal ícone a Universidade do Estado da Bahia, na figura da professora Ivete Sacramento.

Participei de diversas querelas acerca de que tal atitude estatal era um equivoco, por que atestava que nós negros éramos incapazes ou que o correto era investir na educação pré-escolar etc. Dentro do próprio movimento negro houve posturas semelhantes, mas independente disso a pressão dos movimentos de esquerda aliado a uma série de conjunturas políticas, transformou o sonho de cursar uma faculdade para o povo pobre e negro uma realidade.

A conjuntura era tão positiva para a sociedade que o pleito eleitoral de 2008 galgou ao cargo mais importante da nação, um nordestino, ex-torneiro mecânico e petista. A seqüência da história provou que “nunca na historia desse país” um governo foi mais bem aceito. Mas o que isso tem haver com a Globo e o movimento negro? Mesmo aqueles que discordavam das ações afirmativas tiveram que dobrar-se á força do nosso sistema democrático.

Publicado por: protextando | 18/12/2011

A vida depois da política

 Hoje, numa dessas coisas inexplicáveis da vida, fui acometido por uma onda de “nostalgismo analítico”. Mas, que diaxo significa isso? (A proximidade do fim de mais um ano e a pseudo-renovação da fé na humanidade, mesmo que durante o ano não tenhamos feito nada de prático objetivando alcançá-lo, me fez sentir isto). O termo significa romantizar o passado lembrando-se que a realidade sempre o contradiz. Minha analise debruçou-se sobre algo comum e invisível em nossa cidade… Os famosos tentáculos da “política mesquinha” que ainda insiste em nos rodear.

 

O grande empecilho que se ouvia dentro dos movimentos sociais, que supostamente representavam a juventude em minha época, (lá nos idos de mil novecentos e noventa e nove) era de que nós, enquanto movimento social “organizado”, que achávamos que éramos, seriamos capazes de transformar a realidade de nossa cidade se houvesse dinheiro suficiente em nossas mãos e o aplicássemos corretamente, nas diversas mobilizações que nossa criatividade seria capaz de desenvolver.

 

Os anos se passaram e o resquício de ativos “transformadores do real” que víamos perambulando pelos colégios e esquinas alheias, foram transformados em senhores responsáveis, “doutores honoris causa” da articulação político-social em nosso município. Um palavrório tão extenso quanto raso em modificação do que havia sido proposto. Digo isso não como uma crítica que visa deturpar a imagem de “camaradas” e “companheiros” que ainda passeiam pela cidade, só que dessa vez portando algum tipo de veículo motorizado. Não há erro algum em tirar benefícios da política, desde que, a meu ver, a população sinta através do trabalho desenvolvido por você mudanças significativamente positivas.

 

Algumas regras básicas

 

É in(não)crível como os mecanismo se repetem ao longo dos anos neste pequeno pedaço de terra chamado Camaçari. Em um intervalo de quatro anos as “coisas” funcionam mais ou menos assim para um jovem ativista político-partidário em nosso município:

Contente-se com o que tem, afinal você lutou, carregou bandeiras, fez ecoar gritos de ordem quase ancestrais e isso não foi em vão né?

Quando estiver estabilizado financeiramente ou politicamente, esqueça TODO o poder revolucionário da juventude e alie-se a aqueles que vão defender o “seu”.

Aprenda, ser cínico vai salvar sua vida várias vezes.

Entenda de uma vez por todas que só pode haver confraternização entre dois segmentos de juventude partidárias diferentes, se houver uma deliberação vinda de instancias hierarquicamente superiores a você.

Não escreva textos, não critique externamente as ações de governo, não analise a realidade social de seu município, tentando potencializar o que é bom no estado camaçariense e extirpar aquilo que é nocivo. Quem faz isso é a oposição, você tem de comer o seu “quietinho” e dizer: sim senhor.

Sabe aqueles ideais revolucionários que você gastou horas pra ler, em calhamaços de livros, na ânsia de tornar-se um no Chê, Fidel ou Mahatma? Esqueça, aquilo foi perda de tempo! Você não precisa de cérebro pra fazer política, basta apenas braços, voz e pernas para repetir os dizeres da “nova revolução” da qual agora você faz parte.

 

Uma pequena ressalva

 

Sempre existirão aqueles bravos integrantes que por uma razão ou outra se mantém inseridos nesta inércia de TODA juventude de seguir o que lhe disseram (contrariando a sua lógica histórica e transformadora) e ainda não foram sujos com esta lama ideológica repetida há anos. Estes seres místicos são uma raridade e dificilmente você conseguirá identificá-los. Isto acontece, na política, por que o mau sempre se traveste de bonzinho e repete o “discurso revolucionário”. Como assim Emerson Leandro silva, você pode embasar sua análise de forma maniqueísta? Respondo dizendo:

 

A política mudou e quando isto acontece os conceitos também são revistos. Mau e bem são os únicos lados que a descrevem em nosso município atualmente.

Publicado por: protextando | 07/11/2011

Na escola de samba, vimos uma aula de futebol

Sexta feira, meio dia, eu sentado assistindo a resenha esportiva. Eis que a mesma emissora de locutores que diziam o quanto éramos um time indolente, sem garra, faz uma homenagem ao Esporte Clube Vitória, exibindo um vídeo promocional que terminava com os dizeres “bote fé que o leão vai subir”.Não há novidade : a imprensa é um negócio e é interessante para a tv Bahia apoiar-nos nesse momento. Mas fica aqui um aviso às “aves de rapina”… Nós da TIPO entendemos este joguinho e sempre torcemos, enquanto veículo, para que as equipes baianas estivessem no melhor patamar do futebol brasileiro.

O jogo contra o Salgueiro foi um desfile onde nossas alas funcionaram perfeitamente bem. O chefe de bateria Gilberto, conduziu perfeitamente a equipe a uma vitoria previsível, mas não menos importante. A dupla de mestres-sala, Marquinhos e Fábio Santos, também ajudou a compor o enredo vencedor, para o sambódromo do Barradão lotado cantar num uníssono… “Vamo subir nêgooo”

Mas, porém, contudo, todavia, entretanto…

No finalzinho do jogo perdemos Marquinhos com uma lesão na coxa e Jean (numa falta idiota e infantil). O que pra nós significa uma perda considerável, já que o atacante foi responsável nos últimos três jogos, por quatro gols a nosso favor. Mas estas ausências só ganham proporções épicas, por conta da situação decisiva em que nos encontramos e pela displicência do senhor Alex Portela que, não fez chegar a toca do leão outro atacante de igual competência.

Antes que seja ensaiada mais uma eleição do “bode expiatório” da vez, o que ocorreu com nosso atacante foi muito mais acaso do que uma culpa a mais, na bagagem de nosso técnico. O único motivo de não ouvirmos um discurso neste sentido foi nossa expressiva vitória diante do Salgueiro.

O jogo contra o Americana é fora de casa e define nosso futuro na competição. Se ganharmos enfrentaremos Criciúma, são Caetano e Asa, cônscios de nossa participação na elite do campeonato brasileiro. No empate de ontem entre americana e Ponte preta somados a vitoria do Náutico, garantiu provisoriamente nossa estadia no g4. Como sempre afirmei aqui: A tabela nos favorece. Se teremos dois desfalques, o Americana terá três.

Ps: Que coisa hein?! O pior é que a misera da sorte… Mas usarei aqui as palavras de um autista tricolor: “vamos ver até onde a sorte acompanha”. Por enquanto nada mudou.

Publicado por: protextando | 01/10/2011

A imprensa do serviço e a imprensa do negócio

Um fator complicado na área da comunicação social, principalmente para estudantes que dela participam, é a baixa atratividade dos modelos praticados pelos veículos de comunicação, no apresentar desta ciência. É verdade que ela, sendo da área de humanas, tem como principal característica a multidirecionalidade de aplicações. O que trocando em miúdos quer dizer que o profissional tem um “leque de opções’ para escolher, com e como vai trabalhar.

Dito isto, não posso me furtar ao direito de explicitar minha opinião de como seria o ideal de aplicação das atividades destes profissionais (embora com essa postura eu possa ser considerado antipático e/ou limítrofe). Levando em consideração que a comunicação tem como base as ciências sociais, e o “social” é ostentando na própria nomenclatura desta profissão, além da certeza de que a conseqüência de seu trabalho recai sobre a sociedade, defendo veementemente que a principal função do comunicólogo é exatamente esta, a de tentar estimular a capacidade critica de seus públicos.

A Liga e a Profissão Repórter

Pouquíssimas coisas me animam na TV aberta brasileira. Talvez por saber que o fato da qualidade dos programas são uma afronta a inteligência dos telespectadores e a intenção das concessões públicas. Mas, hoje não quero falar das coisas negativas. Até por que há muito tempo atrás, percebi que comunicação em nosso país deixou de ser um serviço e passou a ser negócio.

Zapiando por entre as opções que a mediocridade do entretenimento pode me oferecer, lá pelas 22:15 da noite, num dia de terça-feira, consegui encontrar algo que chamou-me atenção. O nome do programa é A liga que tem como “âncora” por assim dizer, o conhecido humorista, jornalista e apresentador Rafinha Bastos. Este quase passa despercebido na companhia de Thaíde, Débora Villalba e Sophia Reis. Esta postura de quase esconder a “estrela” do programa já é, por si só, algo interessante diante dos exemplos oferecidos pelos veículos midiáticos de nosso pais. Mas o programa vai além…

A liga conseguiu, tomando como verídico meu pressuposto de que “comunicação é um negócio”, mostrar a possibilidade de se estar em um veículo de envergadura nacional e produzir um programa de qualidade, bom humor, revolta e formador de opinião. O que a meu ver (embora seja uma raridade na TV brasileira, é somente um dos papeis obrigatórios do jornalista defendido no próprio discurso da profissão).

O programa aproxima o jornalismo da realidade sofrida do povo brasileiro, sem explorar de forma medíocre as situações de miséria espalhadas pelo país. Mostra a ineficiência do estado e comporta-se de forma cidadã ao induzir de forma reflexiva, a postura que tomamos diante destas verdades não vivenciada por nós diariamente. Ali não há espaço para o jornalista engravatadinho e engessado, falando em um tom galante. Muito pelo contrário, o comunicólogo é posto diante da possibilidade de “experimentar” o outro, quase que em um processo etnográfico.

Como se não bastasse um exemplo deste, não posso deixar de citar o Profissão Repórter, que vai ao ar todas as terças-feiras, às 23h40, na emissora líder de audiência do país. Tem como apresentador o competente Caco Barcelos e guarda exatamente as mesmas características do A Liga. Só que com uma diferença interessante. Nele vão a campo também os profissionais que o mercado de trabalho chama de “verdes, inexperientes, quase estagiários. O que nos mostra que uma boa orientação pode transformar diamantes brutos em pedra valiosíssima. Mas estágio é outro tema complexo que discutiremos depois…

Publicado por: protextando | 04/09/2011

Coisas de Crente


Hoje, 3/7, um sábado por tanto, depois de um baba jogado com uma participação até certo modo pífia por minha parte, teve como fim felizmente um empate. Dos males o menor. Como forma de me punir pela discreta atuação resolvi vir caminhando do campo até em casa, refletindo sobre as coisas da vida e travando diálogos silenciosos com meus filosóficos botões.

Na altura do Centro Comercial de Camaçari ouvi de longe algumas vozes exaltadas que discorriam sobre o modus operandi do governo Caetano. A ironia deste incidente é que ontem recebi um e-mail com um texto do colunista do Camaçari Acontece, Caio Crente, trazendo como título “e se não existisse oposição”. Logicamente que as vozes exaltadas eram contrárias as atuações da administração do executivo. E o texto do nobre companheiro segue uma linha muito mais coesa do que a explanação dos pseudo-revolucionários e suas “lideranças perseguidas pelo governo”

Antes que pareça que este texto uma defesa do governo, quero deixar bem claro que apesar de participar e ter lutado para que este se concretizasse, não tiro a razão de nenhum dos dois caminhos traçados, seja por Caio, seja pelos participantes do comício. Na verdade considero que elas são, de fato, importantíssimas para a consolidação dos princípios democráticos em nossa cidade.

O que me incomoda é que “aqueles que não participaram deste projeto mentiroso que ai está” só se mostrem contrários as atuações da administração petista em um momento no qual a cidade já respira o próximo pleito eleitoral.

Há uma anedota contada até mesmo pelo próprio prefeito dizendo que, em um evento de uma localidade do município, uma senhora no meio do povo o indagou dizendo abertamente que, ele era um sacana e etc. Um opositor que ouvia o sermão proferido a Caetano concordou no ato com a senhora. A velha virou-se pra o opositor e disse: “Êpa, cale a boca seu pelego que eu posso falar dele, você não!”

Logicamente não sigo a risca a anedota. Afinal, “não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las”. Mas que não duvido das boas intenções presentes no artigo de Caio isso é um fato! Portanto, ouçamos os dois, mas confiemos nas intenções revolucionárias do menino capoeirista.

Ps: quero deixar bem claro que depois dessa propaganda a cerca do seu texto, Caio Crente. Vossa senhoria fica obrigada a me pagar, no mínimo um engradado de cerveja. J

Publicado por: protextando | 12/08/2011

A mulher da lei e a lei da mulher

O projeto de lei concebido pela deputada estadual Luiza Maia traz a baila um assunto extremamente pertinente. O modo como algumas músicas baianas referem-se pejorativamente a mulher e o investimento do Estado a bandas que se utilizam desta lógica. Trata explicitamente de um marco legal que impeça, de certo modo, o Estado de incentivar com dinheiro público estes tipos de composição e busca proteger a imagem da mulher que é violentada, simbolicamente, em nossa sociedade machista. Até ai tudo bem…

Antes que ensaiem um apedrejamento prematuro deste humilde escriba que aqui se apresenta, quero deixar bem claro que sou contrário as nomenclaturas “poéticas” que atestam que “mulher é igual a lata, um chuta e outro cata” e coisas desse tipo. Mas (contudo, todavia, entretanto) sou contrário a lei do modo como ela se expõe. Isto porque não vejo como justificar o “não-investimento” do dinheiro público sem descriminar tais bandas segundo um juízo de valor que O ESTADO baiano não pode se pautar.

Todos aqueles que lutaram pra instaurar a ideia de um governo heterogêneo e democrático devem renunciar a lógica contida na PL, porque ela abre precedentes que historicamente já foram superados. Uma análise criteriosa do que é pejorativo ou não é muito parecida com a postura defendida pela ditadura militar “em nome do povo brasileiro”.

A assessoria da nobre deputada talvez não tenha se atentado para o fato de que esses tipos de bandas são somente a ponta de uma cadeia de influências. Elas “derrubaram” letras de músicas de valor histórico-pedagógicos que facilmente se via nos anos 90 e substituíram por um ritmo contagiante, fazendo referência e/ ou apologia ao sexo e um grau agressivo à mulher. Logicamente a mídia tratou de fazer o que de melhor sabe… Distorcer o conteúdo da lei e tentar personificar o mau na figura da deputada petista.

Sabemos que existe uma tentativa por parte da imprensa e governantes, que grande parte da população se mantenha distante das questões decisórias e não consumam coisas que de fato lhe tragam algum tipo de reflexão critica, acerca do mundo e de sua realidade. Mas não se pode classificar aqueles/aquelas que ESCOLHERAM estar em locais onde músicas que tipificam a mulher do modo (QUE NÓS consideramos pejorativos), de simplesmente alienadas ou acéfalas.

O estado deve se pautar por uma tentativa de defender minorias e garantir que estas sejam salvaguardadas pelas leis e deveres. As músicas são sim, depreciativas. A meu ver ofendem a mulher. Mas senhores, elas são a constatação de um fator histórico-cultural de nossa sociedade baiana dizendo… Nós somos machistas! E infelizmente essas coisas não são vencidas simplesmente por uma imposição do Estado.

Publicado por: protextando | 04/07/2011

Pão e circo… Política e música

Tomando carona em um adágio que tornou-se popular digo: “Dai a César o que é de César e dai a Deus o que é de Deus”. A cinco dias atrás, portanto na terça-feira (29/06), ao chegar em casa liguei a televisão espantei-me de forma positiva com a imprensa de minha cidade. Pela primeira vez, desde que me entendo como munícipe camaçariense, senti este “inenarrável” prazer.

DUAS COISAS incomuns ocorreram naquele dia. Coisas que embora  existam tantas questões que possam compor as entrelinhas deste acontecimento histórico, ainda assim não diminuem a importância de sua envergadura. A emissora local TV CONEXÃO, deu no espaço de sua programação a oportunidade para o Deputado Estadual Bira Côroa (PT), desfazer ou tentar, um boato de que estava a flertar sua candidatura a prefeitura municipal de Camaçari, pelo partido líder da oposição  a sua legenda . Pra ser mais específico, o partido do ex-prefeito Helder Almeida, o DEM.

Pois bem, considero importante, quiçá histórico, este momento, não por conta da presença do então paralamentar Bira Côroa, que conseguiu atingir um dos veículos da imprensa televisiva local, mas porque foi a primeira vez que vi um “boato político” trazido a público e sendo esmiuçado, mesmo que somente de forma parcial (afinal só ouvimos o Deputado). Embora seja somente um passo em direção a um caminho que de fato justifique a exitência de uma tv local (que é o de honrar a conceção pública), ou seja uma devolução de um serviço que agregue algo para um grande contigente de pessoas.

Como se não bastasse este ocorrido, na sequência do mesmo programa, eis que o “âncora” do mesmo programa diz num tom de  “como se aquilo fosse natural e corriqueiro” que haverá uma aula de música. Quando a câmera mostrou a imagem do ilustríssimo senhor Enoque Manoel Norberto* que iniciaria uma aula ensinando ao telespectadores os primeiros passos de como tocar teclado, ai sim, disse a mim mesmo: há uma luz no fim do tunel… E música de qualidade, também!

*Enoque Manoel Norberto é um dos pilares da cultura camaçariense, autor da letra e música do hino de Camaçari, contador de história, maestro, Fundador-mantenedor-articulador-pai do grupo Bando do Padim vô e tanta oustras coisas que só uma reticências pode explicar.

Publicado por: protextando | 22/06/2011

CAMAÇARI: Minha viagem particular

Quando soube que teria a oportunidade de viajar para o exterior, um dos medos quase inconscientes que martelaram minha cabeça foi o de responder de forma positiva a indagação: esta cidade é melhor que a sua? Felizmente, isso não aconteceu.

A cidade que visitei recentemente foi a capital dos nossos hermanos “arrentinos” e pude constatar o quanto temos de potencial a explorar.

Digo que Camaçari é melhor que Buenos Aires por duas razões básicas: não quero ser racional ao instituí-la assim e não busco convencer qualquer pessoa que seja a seguir minha opinião. Dito isto, algumas verdades precisam ser postas.

Estamos longe de ter o nível de planejamento que Buenos Aires tem, mas não sofro da síndrome do cachorro vira-lata. Em contra ponto a logística lá implementada, ao planejamento estratégico de suas ruas e praças, da utilização de uma manifestação originária de uma cultura de massa como é o tango, temos a diversidade de artistas e linguagens ao nosso favor.

Há alguns dias atrás, fui convidado a participar do primeiro arraiá da Rua Guaporé e, acidentalmente, me esbarrei com uma fantástica apresentação dos repentistas Bule Bule e Queiros, acompanhados pelo grupo Espermacete de dona Nildes e sua fantástica filha, que empresta garbo e elegância ao título de “tocadora de tambor”. Faço aqui uma ressalva: Como futuro cientista social não devo colocar em xeque os méritos de uma cultura em detrimento da outra. Buenos Aires tem suas idiossincrasias e Camaçari as tem também. Minha intenção é demonstrar que se nos “istaites” foi possível glorificar uma manifestação tão charmosa e elegante, que façamos o mesmo aqui com os tantos artistas igualmente qualificados como os de lá.

Voltando… Vi gratuitamente, monstros sagrados de nossa cultura desfilando suas apresentações, recheadas de alma em cada nota musical que saltava diante dos olhos, preenchia o ar e dava aos olhos e sorrisos que os observava uma dose de brilho que não se vê em qualquer lugar. Lembro de certa altura da festa ter comentado com um colega ao meu lado o quanto Bule bule, mesmo diante de tantas intempéries de saúde, se mantém firme e forte fazendo e sendo o samba de roda em nossa cidade. Concluí que ele só vive bem se for desse modo, afinal, alma para os gregos significava ânima ou seja, aquilo que nos anima. Se Buenos Aires tem tango temos Bule bule, Enoque, Wilson Bezerra, Dona Bete, Dona Nildes e etc.

O grande problema de nossa cidade é que existe espaço, por conta do regime democrático, para que as almas sebosas se instaurem nas instancias de nossa política. E cada um destes seres macrocéfalos olha para a cultura, de um modo geral, com suas visões embaçadas e tacanhas.

Costumo dizer que, bem mais preocupante que alguém que é idiota, é quando este idiota está no poder. Volto a dizer o que já afirmei em alguns artigos anteriores, aqui neste mesmo espaço. Os heróis da cultura de nossa cidade acima citados INFELIZMENTE não são eternos. Mas me parece que a pequinês de espirito teimará a existir em nossa sociedade e na política.

Publicado por: protextando | 25/05/2011

Moral: O pseudo-estudo do caso Camaçari

Em Camaçari só existe uma coisa que se equipare com a parcimônia, (pra não dizer lerdeza) na participação política da maioria de seus munícipes. Logicamente não me refiro aqui àqueles que de algum modo não exercem, por que não tem tempo suficiente para isto, este saudável flerte. Minha atenção é para aqueles que se julgam avessos a ela, e que tão sabiamente foi alertado por Bertold Brecht em seu famoso poema “O analfabeto político”.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.( Bertolt Brecht).

 

A democracia garante que quase todos os pensamentos e comportamentos sejam aceitos. Até a escolha absurda, a meu ver, de não se interar sobre as decisões tomadas por aqueles que detêm o poder, e que certamente afetarão diretamente a sua vida. Dito isto é bom que seja dito que, para que se goze de tal direito é preciso que se exerçam alguns deveres, dentre os quais saliento os valores que nos torna civilizados. Coisas absurdas como parar no semáforo vermelho, respeitar a faixa de pedestre, etc.

Outro dia desses vi um dos agentes de trânsito sendo coagido por um cidadão-infrator, a não aplicar (acredito eu) uma multa. Tudo por que o nobre cidadão em questão era, ou dizia ser, parente de um político de nossa cidade. Sorri ironicamente ao ver a cena, e constatei que todo meu esforço de açodar 05h00min da manhã para pegar o transporte universitário, tinha sido posto em xeque por aquele “ato inocente” e comum do “ditucujo”. Felizmente ele “sambou” e não pode gozar de seu “privilégio político”.

Este incidente me atentou pra uma coisa… Será que o comportamento do infrator é a regra ou a exceção em nossa cidade? O que sei é que atitudes “despretensiosas” como estas são legitimadas pela ausência de interesse, daqueles que “não estão nem ai” para os acontecimentos políticos de nossa cidade. Para eles é possível estabelecer em termos de dever cívico-moral, um grau do quão algo é mais ou menos errado. Certamente a infração de estacionar em vagas de deficientes, receberia uma pena mais branda do que um “obituário-online” de quinta categoria, que comumente divulga “fatos” nascidos da imaginação de um demente qualquer.

Assim como não existem “quase” ladrão não existe “meio” ético. (pensar assim é ser ilógico) Aqueles que cometem atos contrários a lógica do bem comum, devem assumir as conseqüências. Digo mais, aqueles que sabem de que algo ou alguém, em qualquer grau, está infringindo uma lei e pondo em risco a integridade de nosso sistema político, deve tomar as medidas cabíveis para que isto deixe de acontecer. Talvez seja taxado de radical por levantar tal hipótese… Eu aceito o rótulo desde que a intenção seja me nomear, segundo a essência do significado a palavra… Ir na raiz.

Publicado por: protextando | 22/05/2011

BULE BULE É…

Ele é repentista. Tem a capacidade mediúnica de “tirar de onde não tem espaço, pra colocar onde não cabe”. Segue inabalável e fiel o seu destino, e luta de pandeiro e viola na mão; suas armas brancas. Tem como marca registrada além da sapiência, a barba espessa e reluzente que ostenta desde a puberdade. Ela contrasta quase mitologicamente com a cor enegrecida de sua pele.

Tão certo quanto a roupa de couro alaranjada que veste e seu chapéu do mesmo material, é a presença da companheira inseparável que carrega consigo… A viola. Funcionando quase como a extensão do seu corpo, foi usada como principal instrumento para abalar da forma mais ferina e sutil, o coração daqueles que se interpuseram como empecilho, no caminho glorificado que lhe foi reservado na história. A beleza do que escreve não esta na caligrafia perfeita, mas na sapiência coesa que transmite em cada verso. A adquiriu na escola da vida, a única que teve tempo para freqüentar por longo período.

É grato por todo conhecimento empírico que, graças a esta experiência, adquiriu. É bem verdade que isto lhe trouxe uma dose cavalar de dor, mágoas e alguns arrependimentos. Mas afirma categoricamente que este é o único mau que alguém pode desejar… Buscar um sonho. A vida transformou-o em um artista do povo. Pensador. Averso a qualquer tipo de tirania e defensor ferrenho da cultura popular nordestina.

Bule bule é uma AULA. Esta é a palavra que sintetiza todos os encontros que tive com o mestre. Ele está alem de si mesmo e sua vida não mais lhe pertence. Isto por que ele é, acima de qualquer coisa, um marco da cultura popular do nordeste. Falar dele sem colocar como ênfase o modo puro e firme com que defende um dos pilares da riquíssima cultura baiana, é um crime. O cordel viverá eternamente e infelizmente o “véio” é perecível. Mas a idéias que ele carrega impregnadas em sua barba de coloração prateada é de uma imortalidade gostosamente apreciável.

Bule bule é comendador de cultura do país. Felizmente o estado brasileiro reconheceu o tamanho de sua grandiosidade ainda em vida (contrariando a lógica de homenagens póstumas) e apenas emprestou um pouco mais de credibilidade a um trabalho que traz como marca as raízes nordestinas e a busca de demonstrar a fantástica beleza presente nas coisas simples que o nordeste apresenta

Depois dos álbuns “Licutixo”, “A fome e a vontade de comer”, e o mais recente “Simples como a Natureza” O repentista baiano Bule bule, natural de Antônio Cardoso, estará realizando, no próximo dia 30 de maio, segunda feira, às 20:30h, no bairro da Pituba (Teatro Jorge Amado) um show de gravação do seu segundo dvd, Cordealizando a canção. Os ingressos serão trocados por dois quilos de alimentos não perecíveis, 1h antes na bilheteria do tetaro. A noite contará ainda com a participação especial de artistas consagrados no seguimento da cultura popular nordestina. Dentre os quais se destacam Raimundo sodré, Gereba e Xangai.

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