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No que se refere às opções de entretenimento, informaçãoe produção de conhecimento encontradas na TV aberta pública, sempre fui um dos críticos ferrenhos. No que tange, de modo geral, a qualidade dos programas, já passei pela fase do teleologismo onde escolhia apenas uma emissora como a única culpada, símbolo de todo o mal televisivo no Brasil. Graças a Deus e as referências que venho lendo ao longo desses anos, descobri que ela (a emissora) era somente uma parte do sistema de comunicação em nosso país, diga-se de passagem, horrível sob o ponto de vista educativo.
No último domingo a tarde, levei um susto quando liguei a televisão na globo e assisti o programa “Esquenta!”, apresentado por Regina Casé. Em “A imprensa do serviço e a imprensa do negócio” levando em consideração que estou certo em minha taxionomia a cerca da imprensa, o fato do supracitado programa, trazer uma considerável quantidade de negros e pobres em situações que, são totalmente diferentes daquelas de subserviência, me permiti fazer dois questionamentos: Será que a globo está “enegrecendo” e “empobrecendo” as imagens se aproximando da diversidade de nosso país? Ou será que o aumento do poder de compra das classes B, C e D a impuseram a rever o modo de sua programação?
Poder de compra igual a poder de escolha
Desde que conheci a luta de Abdias Nascimento e sua forma de encarar as questões de raça em nosso país, julgo que se enviesar pelas entranhas do estado e fazer com que este reconheça-nos enquanto cidadãos, que foram historicamente descriminados é a tática mais eficiente. Um prova disso é a criação do princípio das cotas nas universidades pública, luta esta que no Brasil tem como principal ícone a Universidade do Estado da Bahia, na figura da professora Ivete Sacramento.
Participei de diversas querelas acerca de que tal atitude estatal era um equivoco, por que atestava que nós negros éramos incapazes ou que o correto era investir na educação pré-escolar etc. Dentro do próprio movimento negro houve posturas semelhantes, mas independente disso a pressão dos movimentos de esquerda aliado a uma série de conjunturas políticas, transformou o sonho de cursar uma faculdade para o povo pobre e negro uma realidade.
A conjuntura era tão positiva para a sociedade que o pleito eleitoral de 2008 galgou ao cargo mais importante da nação, um nordestino, ex-torneiro mecânico e petista. A seqüência da história provou que “nunca na historia desse país” um governo foi mais bem aceito. Mas o que isso tem haver com a Globo e o movimento negro? Mesmo aqueles que discordavam das ações afirmativas tiveram que dobrar-se á força do nosso sistema democrático.

Um fator complicado na área da comunicação social, principalmente para estudantes que dela participam, é a baixa atratividade dos modelos praticados pelos veículos de comunicação, no apresentar desta ciência. É verdade que ela, sendo da área de humanas, tem como principal característica a multidirecionalidade de aplicações. O que trocando em miúdos quer dizer que o profissional tem um “leque de opções’ para escolher, com e como vai trabalhar.
Pouquíssimas coisas me animam na TV aberta brasileira. Talvez por saber que o fato da qualidade dos programas são uma afronta a inteligência dos telespectadores e a intenção das concessões públicas. Mas, hoje não quero falar das coisas negativas. Até por que há muito tempo atrás, percebi que comunicação em nosso país deixou de ser um serviço e passou a ser negócio.
Hoje, 3/7, um sábado por tanto, depois de um baba jogado com uma participação até certo modo pífia por minha parte, teve como fim felizmente um empate. Dos males o menor. Como forma de me punir pela discreta atuação resolvi vir caminhando do campo até em casa, refletindo sobre as coisas da vida e travando diálogos silenciosos com meus filosóficos botões.
O projeto de lei concebido pela deputada estadual Luiza Maia traz a baila um assunto extremamente pertinente. O modo como algumas músicas baianas referem-se pejorativamente a mulher e o investimento do Estado a bandas que se utilizam desta lógica. Trata explicitamente de um marco legal que impeça, de certo modo, o Estado de incentivar com dinheiro público estes tipos de composição e busca proteger a imagem da mulher que é violentada, simbolicamente, em nossa sociedade machista. Até ai tudo bem…
Tomando carona em um adágio que tornou-se popular digo: “Dai a César o que é de César e dai a Deus o que é de Deus”. A cinco dias atrás, portanto na terça-feira (29/06), ao chegar em casa liguei a televisão espantei-me de forma positiva com a imprensa de minha cidade. Pela primeira vez, desde que me entendo como munícipe camaçariense, senti este “inenarrável” prazer.
Quando soube que teria a oportunidade de viajar para o exterior, um dos medos quase inconscientes que martelaram minha cabeça foi o de responder de forma positiva a indagação: esta cidade é melhor que a sua? Felizmente, isso não aconteceu.
Em Camaçari só existe uma coisa que se equipare com a parcimônia, (pra não dizer lerdeza) na participação política da maioria de seus munícipes. Logicamente não me refiro aqui àqueles que de algum modo não exercem, por que não tem tempo suficiente para isto, este saudável flerte. Minha atenção é para aqueles que se julgam avessos a ela, e que tão sabiamente foi alertado por Bertold Brecht em seu famoso poema “O analfabeto político”.