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A culpa é da Secult, será?

povo_culturaO momento político de um pleito eleitoral em Camaçari costuma produzir uma sequência de analises sobre os diversos âmbitos relacionados a nossa cidade. Dito isto, é bom relembrar que ninguém é obrigado a pensar segundo meus critérios de análise e parafraseando Voltaire “não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-las”.

As análises são, a meu ver, uma oportunidade clara de expor uma realidade que deve ser melhorada sempre, mas saber isto não significa dar demérito ao que já foi construído, nem classificar com o rótulo de incompetente aqueles que fazem as ações, só por conta destas estarem, segundo minha perspectiva, aquém do que julgo ser o melhor para minha cidade.

Um dos jargões da política partidária diz que ela, a política, não se faz com o coração, isto porque pode-se incorrer no erro de analisar como simples algo que é complexo, deixando de lado a intricada relação de ausência/participação dos diversos entes no tabuleiro do jogo político, que garante que as ações sejam norteadas pela ideia de política pública.

É vital que se dê a Cesar o que é de Cesar

O texto “edital e coisa e tal” de Caio Marcel, faz uma analise crítica/comparativa entre as ações e modus operandis da Secretaria de Cultura de Camaçari, gerenciada por Vital Vasconcelos, e a Secretaria do Governo do Estado da Paraiba, administrada a época por Chico Cesar. Nele, Caio fala como é ineficiente o trabalho da Secretaria municipal e culpabiliza exclusivamente os gestores do poder público.

A comparação apresenta duas estruturas de dimensões políticas totalmente diferentes, visto que uma é estadual e outra municipal. Embora concorde com a fórmula implementada por Chico Cesar e defendida por Caio como passível de ser repetida aqui, refere-se, segundo seu próprio texto, ao são joão paraibano, mas em nossa cidade, até onde sei, a contratação das bandas do camaforró são de responsabilidade da coordenação de eventos. Logo, o erro não é da secult.

vital

Vital Vasconselos Sec. de Cultura de Camaçari

Quanto ao conselho de Cultura, presidido pelo então secretário da mesma pasta, que no fim de seu mandato, a meu ver, deveria ter saído da cadeira por conta da salutar alternância de poder, continuou sendo o “dono da caneta”.  E o é pela ausência de um nome que se propusesse, a época, a tarefa de presidir o conselho. Lembro-me bem que havia uma espécie de “oníssono político” conclamando a continuidade de Vital Vasconselos. Aí meu nobre onde há espaço, alguém ocupa! Sobretudo na política.

Eu sei que minha lógica encerra a complexidade do tema, porém os erros da Secult apresentados no texto, são também o reflexo da pouca eficiência do embate político dos agentes culturais de nossa cidade. Grande parte da verba que a cultura é obrigada a repassar para a Cidade do Saber e Coordenação de eventos, é algo sabido desde o inicio do mandato petista, por que os artistas “viva cultura da cidade”, que “pagam os salários e a estrutura da Secretaria de Cultura da cidade” não combateram isto?  Se a questão tratada aqui é a incompetência é justo, ao menos, que ela seja dividida. Somente a pressão exercida por estes seria capaz de corrigir distorções como a lentidão na publicação execução da política de editais.

Se a Secult erra ao ocupar simultaneamente o conselho e o órgão executor da política cultural e erra ao repassar um montante orçamentário para a CDS e Coordenação de Eventos (mesmo obedecendo a hierarquia do poder público), erra no “excesso de paciência” frente a inércia da continuidade da política de editais, os cidadãos camaçarienses, sobretudo os artistas, formadores de opinião, erram ao não fazerem sua parte no que se refere a nortear as políticas culturais em Camaçari.

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