machismo

E você, gosta de Buceta?*

 

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Em 2013 (eu acho, por que não quis pesquisar sobre algo tão importante para humanidade), quando foi lançada essa pérola da música baiana, eu me questionei acerca da imbecilidade masculina e aceitação por parte de um número considerável de mulheres, (desconsiderando O QUE EU acho excesso na prática feminista, mas isso dá outro texto rsrs), que se omitem atrás da faixada do powerpussy. Hoje, um vizinho ungido e lavado no sangue de Cristo, compartilhou comigo e o restante do bairro, as notas deste belo poema baiano e ajudou a me reconduzir a esta reflexão.

 

A “canção” fala de um cara que buscando, certamente, sua auto-afirmação de macho-alfa-hetero-normativo (putz, pareceu Jean Willis agora rsrs), insinua que gosta mesmo é de pepeca, vagina, a boa e “velha” buceta. Pois bem, nada contra ao gosto dos autores, mas não consigo concordar com a essência da frase…

A meu ver quem gosta de buceta, é aquele mesmo cara que ao olhar uma mulher passar com um mini short pela rua, vai além da admiração das belas curvas de uma linda bunda rebolante, ele acredita, e já vi e ouvi isto várias vezes, que a dona da bunda está provocando, não como uma espécie de “dança do acasalamento” modernizada. Ele bota fé mesmo que se for estuprada a putinha em questão mereceu e quis. Por traz da afirmação pelo gosto do sexo da mulher, está embutido a “objetização” da mulher, como um ser, o todo e é com isto que não concordo.

Quem gosta de buceta, enxerga que a mulher foi feita para servir ao seu pênis, ele imagina que tem entre suas pernas um instrumento mágico, capaz de hipnotizar qualquer fêmea que ele queira. Geralmente são homens que, em primeiro lugar, se preocupam com seu próprio prazer e em segundo, com seu próprio prazer, só então é que pensam em “tapiar” a mulher com quem transa. Geralmente eles as chamam em seus “clubinhos do Bolinha” de: “vítima”, “quentinha”, “putinha”, “lanche” e coisas do tipo.

Meninas continuem a trepar, transar, fazer amor, inclusive com esses babacas, se assim desejarem, mas não aceitem serem tratadas como um pedaço de carne. Exijam uma trepada gostosa, ensinem como ou riam destes pobres animais, mas “nunca finjam orgasmo… deixem o cara saber que trepa mal”. Afinal não há nada mais justo do que numa relação (rapidinha ou não), onde os dois sintam ou busquem o prazer mútuo.

 

* A música em questão é “Avatariano” da banda Gasparzinho regravada pela banda Black Style.

 

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A mulher da lei e a lei da mulher

O projeto de lei concebido pela deputada estadual Luiza Maia traz a baila um assunto extremamente pertinente. O modo como algumas músicas baianas referem-se pejorativamente a mulher e o investimento do Estado a bandas que se utilizam desta lógica. Trata explicitamente de um marco legal que impeça, de certo modo, o Estado de incentivar com dinheiro público estes tipos de composição e busca proteger a imagem da mulher que é violentada, simbolicamente, em nossa sociedade machista. Até ai tudo bem…

Antes que ensaiem um apedrejamento prematuro deste humilde escriba que aqui se apresenta, quero deixar bem claro que sou contrário as nomenclaturas “poéticas” que atestam que “mulher é igual a lata, um chuta e outro cata” e coisas desse tipo. Mas (contudo, todavia, entretanto) sou contrário a lei do modo como ela se expõe. Isto porque não vejo como justificar o “não-investimento” do dinheiro público sem descriminar tais bandas segundo um juízo de valor que O ESTADO baiano não pode se pautar.

Todos aqueles que lutaram pra instaurar a ideia de um governo heterogêneo e democrático devem renunciar a lógica contida na PL, porque ela abre precedentes que historicamente já foram superados. Uma análise criteriosa do que é pejorativo ou não é muito parecida com a postura defendida pela ditadura militar “em nome do povo brasileiro”.

A assessoria da nobre deputada talvez não tenha se atentado para o fato de que esses tipos de bandas são somente a ponta de uma cadeia de influências. Elas “derrubaram” letras de músicas de valor histórico-pedagógicos que facilmente se via nos anos 90 e substituíram por um ritmo contagiante, fazendo referência e/ ou apologia ao sexo e um grau agressivo à mulher. Logicamente a mídia tratou de fazer o que de melhor sabe… Distorcer o conteúdo da lei e tentar personificar o mau na figura da deputada petista.

Sabemos que existe uma tentativa por parte da imprensa e governantes, que grande parte da população se mantenha distante das questões decisórias e não consumam coisas que de fato lhe tragam algum tipo de reflexão critica, acerca do mundo e de sua realidade. Mas não se pode classificar aqueles/aquelas que ESCOLHERAM estar em locais onde músicas que tipificam a mulher do modo (QUE NÓS consideramos pejorativos), de simplesmente alienadas ou acéfalas.

O estado deve se pautar por uma tentativa de defender minorias e garantir que estas sejam salvaguardadas pelas leis e deveres. As músicas são sim, depreciativas. A meu ver ofendem a mulher. Mas senhores, elas são a constatação de um fator histórico-cultural de nossa sociedade baiana dizendo… Nós somos machistas! E infelizmente essas coisas não são vencidas simplesmente por uma imposição do Estado.