governo de esquerda

Aos meus caros amigos

PT

As atuais mobilizações sociais que se espalharam pelo país e por tabela encontraram eco em Camaçari, me levam a crer que a “luz do fim túnel” outrora sustentada por uma vela de chama cambaleante, se demonstra ao menos uma tímida lanterna verde de esperança. O melhor de tudo isto é que ela foi acesa sob a perspectiva de uma tomada de consciência e tentativa de transformação social.

Acompanhei, na distância que julguei necessária, os atos do grupo de jovens que hoje vem ganhando inegavelmente espaço no cenário político de nossa cidade. Sei da sua existência desde o desfile de 28 de setembro em que estes empunhavam cartazes com dizeres como “o povo unido não precisa de partido”. Deixando de lado obviamente o absurdo conceitual e político desta afirmação, sempre julguei corretíssima a postura de expressar suas inquietações e esta é, sobretudo, como todo cidadão camaçariense deve se portar… Lutar e se expressar, ao seu modo, quando estiver diante de uma injustiça feita por quem quer que seja.

Hoje aqueles meninos de cartolina nas mãos conseguiram fazer senão a maior mobilização já vista em nossa cidade, a ÚNICA em tamanha proporção dos últimos dez anos. Tal verdade os transformou em um Bloco auto intitulado como “apartidário”, mas que é suprapartidário. Algo perfeitamente desejoso e correto sob meu ponto de vista, afinal a nossa constituição nos permite isto. Toda esta movimentação os gabaritou a colocar um “impositivo político” ao governo petista que teve que ceder e mostrar-se disposto ao diálogo. Obviamente isto só ocorreu de forma tão rápida por que o Pt tem suas raízes fincadas em movimentos como este e desprezá-los seria um erro.

A moeda deve ser o diálogo

            Estive na plenária de diálogo entre governo e o bloco. O que vi foi um movimento ainda “verde” cometendo erros pequenos, com um tesão genuíno na tentativa de solucionar os problemas citadinos, mas com pouca maleabilidade e traquejo político para traçar estratégias mais eficiente para atingir tal objetivo. Do outro lado havia o governo tentando orientar esta massa de jovens, mas com uma impaciência incrível e falta de traquejo político para torná-los aliados na tentativa de transformá-los em agentes catalisadores que tornariam mais fácil o que afirma o jingle que diz: “É Ademar pra fazer muito mais”.

            O resultado que adviu deste processo é danoso, sobretudo para os munícipes camaçarienses. Neste choque político-filosófico o governo (e quem deve puxar este tensionamento interno é o PT) precisa dialogar de forma mais profícua com o movimento apresentando os reais entraves de uma complexa estrutura burocrática como é o estado e estabelecendo prazos reais de aplicação de mudanças apresentadas pelos manifestantes. O bloco por sua vez, precisa entender em que momento da democracia participativa está vivenciando. Precisa definir estratégias de apresentação de suas propostas e reconhecer que os três poderes constituídos são os representantes Maximo das leis em nossa cidade. Isto na pratica significa dizer que pra que não paire dúvidas de que há alguém que busca enganá-los é preciso buscar conhecer sempre mais sobre as questões que norteiam nossas instituições públicas.

            Obviamente não saber tudo sobre o que se quer não os impede de continuar exigindo o que não se tem, ao menos não na qualidade que se espera. Do mesmo modo o governo não pode deixar de lado o motivo do grito do bloco sob o risco de que a oposição de nossa cidade assim o faça. Se os dois principais “entes” envolvidos nesta querela conseguirem tomar consciência do real tamanho que têm Camaçari irá ter um avanço ainda mais significativo no seu modo de tratar seu povo.

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O antipatriota

Na ultima aula dessa semana consegui encontrar um nome para o modo como estruturo minha linha de raciocínio. Penso segundo o conceito de “redes”. No meu entender este se sintetiza pela certeza de que as coisas, no que tange a sociedade estão interligadas, e são em certas ocasiões interdependentes (é lógico que minha soberba não é tão grande que me permita acreditar que sou o único que pensa desse modo.). Esta revelação me ocorreu por conta de mais um e-mail que depreciava um governo de esquerda da América Latina.

Por conta da bibliografia que estou lendo nestes últimos dias e do modo como vejo o mundo, não obedeci ao indicativo do e-mail que dizia: “se você for brasileiro, repasse este e-mail pra todos seus amigos” isso me fez lembra outro jargão… Ame ou deixe-o! E só a lembrança já me deu náuseas. Enfim faltou-me o patriotismo exigido pelo singelo correio eletrônico.

Na minha recente condição apátrida, me questionei sobre os motivos que levam uma pessoa ou grupo delas a construírem e repassarem e-mails deste tipo* na rede mundial de computadores, quis cogitar os possíveis efeitos que estes causariam… São vários e listá-los aqui demandaria grande tempo e talvez fosse uma tarefa se não cansativa, impossível de ser cumprida diante de minha disposição.

A mais preocupante pra mim é o fato de que o social possa ser, de forma irresponsável, lido por todos. Como algo que caiba numa seqüência de opiniões vazias e preconcebidas, sustentadas por uma lógica que privilegia àqueles que já o são desde o berço.

Mesmo que eu saiba da existência, comprovadas cientificamente, de trabalhos intelectuais que se sustentam até hoje seguindo este percurso, a meu ver, totalmente tortuoso. Não posso deixar de me inquietar quando um/vários dos membros do “povão” que em sua maioria recebe migalhas desde a alimentação até a possibilidade de construção de qualquer que seja o conhecimento crítico, reproduza essa linha que pende para o lado contrário ao seu.

Será que entender políticas afirmativas como algo que atesta que o negro é incapaz é a linha correta a seguir, ao invés de lutarmos para que este como qualquer outro seguimento tenha o direito de construir e reformular, se assim for preciso, as ferramentas que garantam esses direitos? Será que o que deve ser feito é no que tange a mídia, reproduzir tudo o que ela diz como se fosse uma verdade absoluta, entendo-a como um instrumento divino dotado de imparcialidade e bom coração?

Se a estas questões você respondeu sim, e é integrante das classes sócio-economicamente dominantes (trocando em miúdo… se você tem dinheiro negão, o suficiente pra manter seu carro e uma conta com muitos dígitos) ai você tem meu total respeito e estará eternamente lutando do outro lado da trincheira. Mas se sua resposta é afirmativa e você é “peão de trecho” como eu, que tem que contar o dinheiro da passagem, vale transporte, Smartcard ou coisas afins, sugiro que reavalie o que você anda lendo, assistindo ultimamente e como você tem refletido sobre isto. Segundo uma frase atribuída a Oscar Wilde “A ignorância é uma benção” mas a pergunta que cabe a tal sentença é… Benção para quem?

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*Que fique claro aqui que não proponho que não deva existir críticas aos governos de esquerda, mas que elas sejam construtivas. Tanto à estes quanto a qualquer outro de orientação ideológica diferente.