Hoje, numa dessas coisas inexplicáveis da vida, fui acometido por uma onda de “nostalgismo analítico”. Mas, que diaxo significa isso? (A proximidade do fim de mais um ano e a pseudo-renovação da fé na humanidade, mesmo que durante o ano não tenhamos feito nada de prático objetivando alcançá-lo, me fez sentir isto). O termo significa romantizar o passado lembrando-se que a realidade sempre o contradiz. Minha analise debruçou-se sobre algo comum e invisível em nossa cidade… Os famosos tentáculos da “política mesquinha” que ainda insiste em nos rodear.
O grande empecilho que se ouvia dentro dos movimentos sociais, que supostamente representavam a juventude em minha época, (lá nos idos de mil novecentos e noventa e nove) era de que nós, enquanto movimento social “organizado”, que achávamos que éramos, seriamos capazes de transformar a realidade de nossa cidade se houvesse dinheiro suficiente em nossas mãos e o aplicássemos corretamente, nas diversas mobilizações que nossa criatividade seria capaz de desenvolver.
Os anos se passaram e o resquício de ativos “transformadores do real” que víamos perambulando pelos colégios e esquinas alheias, foram transformados em senhores responsáveis, “doutores honoris causa” da articulação político-social em nosso município. Um palavrório tão extenso quanto raso em modificação do que havia sido proposto. Digo isso não como uma crítica que visa deturpar a imagem de “camaradas” e “companheiros” que ainda passeiam pela cidade, só que dessa vez portando algum tipo de veículo motorizado. Não há erro algum em tirar benefícios da política, desde que, a meu ver, a população sinta através do trabalho desenvolvido por você mudanças significativamente positivas.
Algumas regras básicas
É in(não)crível como os mecanismo se repetem ao longo dos anos neste pequeno pedaço de terra chamado Camaçari. Em um intervalo de quatro anos as “coisas” funcionam mais ou menos assim para um jovem ativista político-partidário em nosso município:
Contente-se com o que tem, afinal você lutou, carregou bandeiras, fez ecoar gritos de ordem quase ancestrais e isso não foi em vão né?
Quando estiver estabilizado financeiramente ou politicamente, esqueça TODO o poder revolucionário da juventude e alie-se a aqueles que vão defender o “seu”.
Aprenda, ser cínico vai salvar sua vida várias vezes.
Entenda de uma vez por todas que só pode haver confraternização entre dois segmentos de juventude partidárias diferentes, se houver uma deliberação vinda de instancias hierarquicamente superiores a você.
Não escreva textos, não critique externamente as ações de governo, não analise a realidade social de seu município, tentando potencializar o que é bom no estado camaçariense e extirpar aquilo que é nocivo. Quem faz isso é a oposição, você tem de comer o seu “quietinho” e dizer: sim senhor.
Sabe aqueles ideais revolucionários que você gastou horas pra ler, em calhamaços de livros, na ânsia de tornar-se um no Chê, Fidel ou Mahatma? Esqueça, aquilo foi perda de tempo! Você não precisa de cérebro pra fazer política, basta apenas braços, voz e pernas para repetir os dizeres da “nova revolução” da qual agora você faz parte.
Uma pequena ressalva
Sempre existirão aqueles bravos integrantes que por uma razão ou outra se mantém inseridos nesta inércia de TODA juventude de seguir o que lhe disseram (contrariando a sua lógica histórica e transformadora) e ainda não foram sujos com esta lama ideológica repetida há anos. Estes seres místicos são uma raridade e dificilmente você conseguirá identificá-los. Isto acontece, na política, por que o mau sempre se traveste de bonzinho e repete o “discurso revolucionário”. Como assim Emerson Leandro silva, você pode embasar sua análise de forma maniqueísta? Respondo dizendo:
A política mudou e quando isto acontece os conceitos também são revistos. Mau e bem são os únicos lados que a descrevem em nosso município atualmente.