Um fator complicado na área da comunicação social, principalmente para estudantes que dela participam, é a baixa atratividade dos modelos praticados pelos veículos de comunicação, no apresentar desta ciência. É verdade que ela, sendo da área de humanas, tem como principal característica a multidirecionalidade de aplicações. O que trocando em miúdos quer dizer que o profissional tem um “leque de opções’ para escolher, com e como vai trabalhar.
Dito isto, não posso me furtar ao direito de explicitar minha opinião de como seria o ideal de aplicação das atividades destes profissionais (embora com essa postura eu possa ser considerado antipático e/ou limítrofe). Levando em consideração que a comunicação tem como base as ciências sociais, e o “social” é ostentando na própria nomenclatura desta profissão, além da certeza de que a conseqüência de seu trabalho recai sobre a sociedade, defendo veementemente que a principal função do comunicólogo é exatamente esta, a de tentar estimular a capacidade critica de seus públicos.
A Liga e a Profissão Repórter
Pouquíssimas coisas me animam na TV aberta brasileira. Talvez por saber que o fato da qualidade dos programas são uma afronta a inteligência dos telespectadores e a intenção das concessões públicas. Mas, hoje não quero falar das coisas negativas. Até por que há muito tempo atrás, percebi que comunicação em nosso país deixou de ser um serviço e passou a ser negócio.
Zapiando por entre as opções que a mediocridade do entretenimento pode me oferecer, lá pelas 22:15 da noite, num dia de terça-feira, consegui encontrar algo que chamou-me atenção. O nome do programa é A liga que tem como “âncora” por assim dizer, o conhecido humorista, jornalista e apresentador Rafinha Bastos. Este quase passa despercebido na companhia de Thaíde, Débora Villalba e Sophia Reis. Esta postura de quase esconder a “estrela” do programa já é, por si só, algo interessante diante dos exemplos oferecidos pelos veículos midiáticos de nosso pais. Mas o programa vai além…
A liga conseguiu, tomando como verídico meu pressuposto de que “comunicação é um negócio”, mostrar a possibilidade de se estar em um veículo de envergadura nacional e produzir um programa de qualidade, bom humor, revolta e formador de opinião. O que a meu ver (embora seja uma raridade na TV brasileira, é somente um dos papeis obrigatórios do jornalista defendido no próprio discurso da profissão).
O programa aproxima o jornalismo da realidade sofrida do povo brasileiro, sem explorar de forma medíocre as situações de miséria espalhadas pelo país. Mostra a ineficiência do estado e comporta-se de forma cidadã ao induzir de forma reflexiva, a postura que tomamos diante destas verdades não vivenciada por nós diariamente. Ali não há espaço para o jornalista engravatadinho e engessado, falando em um tom galante. Muito pelo contrário, o comunicólogo é posto diante da possibilidade de “experimentar” o outro, quase que em um processo etnográfico.
Como se não bastasse um exemplo deste, não posso deixar de citar o Profissão Repórter, que vai ao ar todas as terças-feiras, às 23h40, na emissora líder de audiência do país. Tem como apresentador o competente Caco Barcelos e guarda exatamente as mesmas características do A Liga. Só que com uma diferença interessante. Nele vão a campo também os profissionais que o mercado de trabalho chama de “verdes, inexperientes, quase estagiários. O que nos mostra que uma boa orientação pode transformar diamantes brutos em pedra valiosíssima. Mas estágio é outro tema complexo que discutiremos depois…
Parabéns pelos textos! Como sempre, você consegue prender a atenção dos leitores, pelo menos a minha, rsrsrsrs… por sua visão crítica e realista a cerca de assuntos pertinentes que fazem parte da nossa realidade.
Por: Sirlane Santos em 07/10/2011
às 21:47